No coração do Chaco, em uma descaroçadora de Avia Terai que viu passar décadas de história do algodão, foi apresentado esta semana um avanço que soa como ficção científica aplicada ao sulco. Chama-se Cranberry INTA BGRR IMIcott e não é apenas mais uma semente: é a primeira variedade de algodão do mundo desenvolvida para ser resistente ao grupo de herbicidas imidazolinonas. Para o produtor que luta diariamente contra as ervas daninhas que parecem imunes a tudo, esta é uma notícia que muda o mapa.
O desenvolvimento, resultado de anos de trabalho entre a INTA e o sector privado, é a ponta de lança de uma estratégia chamada “O Novo Caminho do Algodão”. Não se trata de um simples lançamento comercial, mas de uma resposta técnica a um problema que vinha sufocando a rentabilidade do setor: a pressão das ervas daninhas resistentes e a necessidade de ferramentas de gestão mais limpas e eficazes.

Os números por trás da inovação
Quando se fala na área, pouco importa a teoria se não se traduzir em quilos e economia. Nos testes de campo, os resultados foram, no mínimo, encorajadores. Arandú apresentou aumento no rendimento próximo a 12% e melhoria na qualidade da fibra de 7%. Mas o dado que mais despertou interesse entre os técnicos é a estimativa de redução de 30% nos custos do controle químico de ervas daninhas.
“O Arandú não é apenas uma variedade nova. É uma ferramenta desenhada para responder aos desafios que os produtores enfrentam, desde as limitações hídricas até à pressão das ervas daninhas”, explicou Carlos Vera, vice-presidente do INTA, durante a apresentação. A planta não é apenas resistente; Possui uma arquitetura diferente, uma plasticidade que lhe permite adaptar-se melhor aos climas erráticos do norte da Argentina, fator que nos últimos anos tem sido uma verdadeira dor de cabeça para quem trabalha a terra.

Sabedoria guarani para o campo argentino
O nome “Arandú” não foi escolhido ao acaso por um comitê de marketing de um escritório de Buenos Aires. Significa “sabedoria” em guarani e, segundo os pesquisadores, reflete um processo de seleção participativo. Foram os próprios produtores que, no campo, sugeriram as características que necessitavam: um ciclo mais longo, melhor estrutura e, sobretudo, uma fibra de qualidade industrial.
Mauricio Tcach, um dos líderes do projeto, deixou claro que isso é apenas o começo. O roteiro da INTA prevê o registo de dez novas variedades nos próximos cinco anos. É uma tentativa de recuperar o terreno perdido e posicionar o algodão argentino como uma alternativa rentável, sustentável e com alta competitividade global.
O futuro do cultivo
O lançamento desta tecnologia surge num momento em que o setor procura consolidar uma reativação. Enquanto os produtores analisam custos e planejam a próxima campanha, a aparição de Arandú traz uma dose de ar fresco. Não só pela resistência química, que simplifica muito a vida no momento da aplicação, mas porque restaura a confiança na capacidade da pesquisa pública argentina de gerar soluções de classe mundial.
Hoje, o campo Avia Terai não apresenta apenas uma nova fábrica; mostra um caminho. Num mundo onde a genética é a chave da produtividade, a Argentina definir a tendência no algodão é uma mensagem poderosa. O “novo caminho” começou a caminhar e, para o produtor que sofre a cada hectare, a sabedoria de Arandú parece ser o primeiro grande passo para uma colheita mais previsível.
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