O choque com a morte de Gaspar Prim Díaz, o jovem YouTuber argentino conhecido popularmente como Gaspi, só aumenta à medida que se conhecem detalhes sobre as circunstâncias do acidente no Rio de Janeiro. Enquanto seguidores tentam processar o impacto da perda, a investigação judicial começou a colocar a lupa em um fato que não passou despercebido: o dono do helicóptero em que viajava o criador de conteúdo e músico Oliver Tree já estava no radar das autoridades por falhas administrativas.
Segundo informações que circulam na mídia brasileira como O'Globo, o proprietário da aeronave PP-MAC, identificado como Oswaldo de Luca Filho, havia sido sancionado pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) em julho do ano passado. A causa não foi menor: o empresário recusou-se a apresentar os registos de voo, a documentação contabilística e as estatísticas básicas que os inspectores lhe exigiam na altura.

A negligência por trás do voo
É difícil não ligar os pontos. Quando uma agência de controle solicita documentação e ela é sistematicamente negada, o primeiro instinto de qualquer investigador é perguntar o que estava tentando esconder. Na ocasião, a ANAC aplicou uma multa de cerca de 8 mil reais, valor que, pela magnitude de um transporte aéreo, mais parece um tímido pedido de atenção do que uma sanção que estancaria futuras irregularidades.
A tragédia ocorreu neste domingo, por volta das 9h. Os moradores do Recreio dos Bandeirantes, no Rio, acordaram com um estrondo que sacudiu as janelas de suas casas. Dois helicópteros, por motivos que hoje são objeto de laudos periciais, se tocaram no ar e caíram sobre o estacionamento de uma concessionária de carros elétricos. O fogo logo tomou conta dos veículos. As colunas de fumaça negra, que podiam ser vistas a vários quilômetros de distância, eram o sinal inequívoco de que, naquele inferno de metal e baterias em chamas, as chances de sobrevivência eram praticamente nulas.
O último postal de uma viagem que terminou em tragédia
Para muitos dos que acompanharam o humor irreverente de Gaspi, a última foto que circulou nas redes sociais parece um golpe. Foi Lucas Vignale, o diretor que o acompanhou nesta aventura brasileira, quem fez o upload poucas horas antes. Gaspar aparece sentado numa espreguiçadeira, vestido com um fato que lhe conferia aquele ar de carácter que sempre cultivou, com o mar ao fundo e uma tranquilidade que hoje contrasta brutalmente com a catástrofe.
Além dos dois e do músico Oliver Tree, fazem parte do balanço o piloto Alexandre Souza e outros dois ocupantes, Lucas Brito Chaves e Charles Marsillac. O tenente-coronel Fabio Contreiras, encarregado da operação emergencial, foi quem confirmou, com o tom seco dos militares, o que ninguém queria ouvir: “Infelizmente não há sobreviventes”.

Uma investigação que apenas começou
Agora, o foco da justiça brasileira não estará apenas na mecânica do acidente – seja um erro de manobra, uma falha técnica ou uma combinação de ambos – mas na rastreabilidade da manutenção e na legalidade de quem operou esses navios. O fato de o proprietário do dispositivo ter um histórico de relutância em relação às autoridades de controle é, no mínimo, uma peça-chave do quebra-cabeça.
Enquanto isso, na Argentina, o clima no streaming é profundamente triste. Gaspi não era apenas mais um YouTuber; Seu estilo, ora controverso, ora absurdo, tornou-se um fenômeno cult. A notícia do acidente no Brasil deixou um vazio imenso. A dor dos familiares é a única certeza num caso que, à medida que avança o relatório final da ANAC, promete deixar muitas dúvidas incómodas sobre como os céus da região são realmente controlados.
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