O deputado Gustavo Salle apresentou-se esta quarta-feira para denunciar publicamente o que descreveu como um “boicote brutal” ao Parlamento uruguaio em resposta à denúncia apresentada pela sua filha, a deputada Nicole Salle, no âmbito de uma comissão pré-investigativa. Segundo Salle, a apresentação — que consistia em 34 páginas de provas detalhadas, incluindo investigações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e da Comissão Europeia — foi rejeitada em poucos minutos pelos demais membros da comissão.
A denúncia que ninguém queria investigar
O deputado explicou que a apresentação documentou o que considera uma “fraude universal” ligada aos contratos assinados pelo governo de Luis Lacalle Pou com laboratórios farmacêuticos durante a pandemia. Salle destacou que esses contratos são secretos – inclusive em suas cláusulas econômicas e sanitárias – e afirmou que esse fato por si só constitui “um elemento objetivo de prova criminal”.
As figuras e organizações mencionadas na denúncia incluem a Pfizer, a Organização Mundial da Saúde, a Fundação Bill e Melinda Gates, o financista Jeffrey Epstein – que Salle afirmou “não estar morto” – bem como contratos identificados sob o nome COVAX. Segundo o legislador, o prejuízo económico ascende a três mil milhões de dólares roubados aos uruguaios.
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Frente Ampla e coalizão alinhadas na rejeição
O deputado Galo, em representação da coligação multicolor, foi o primeiro a anunciar que não apoiaria a iniciativa, argumentando que não havia provas suficientes. Pouco depois, a Frente Ampla seguiu o mesmo caminho com argumentos idênticos.
Salle respondeu ironicamente apontando que os mesmos legisladores que rejeitaram esta investigação dedicaram “horas” ao interrogatório dos casos Cardama e María Dolores, e até convocaram produtores rurais e intermediários para estes casos. “O que o deputado Galo exige para esta questão não é o que a sua força política faz nas questões nacionais”, afirmou.
Em relação à Frente Ampla, Salle questionou a sua posição, destacando que o atual governo Orsi continua, na sua opinião, negociando com as mesmas organizações denunciadas. “Qual é o problema da Frente Ampla se não fosse um governo? Que esteja negociando”, disse, aludindo à recente Assembleia da OMS onde o Uruguai teria participado nas negociações sobre a gestão de futuras pandemias.
“Aqui governamos para as corporações”
Num tom acalorado, Salle descreveu a situação como “constrangimento” e “vergonha”, e sustentou que o Parlamento encobre as máfias internacionais, incluindo – nas suas palavras – “máfias pedófilas” ligadas a Epstein, Bill Gates e directores de grandes corporações financeiras como o JP Morgan e o Banco Mundial.
"Aqui governamos para as corporações. Aqui encobrimos as máfias internacionais", disse o legislador, antes de anunciar que o seu espaço político dedicará uma ampla campanha de comunicação para divulgar o conteúdo da denúncia através do seu canal Salle TV.
Jornalismo também na bancada
Salle também aproveitou para criticar duramente a mídia uruguaia. Destacou que a coletiva de imprensa convocada para anunciar “a denúncia mais importante da história parlamentar do Uruguai” teve pouca ou nenhuma presença jornalística, enquanto eventos como uma homenagem a Mujica ou casos judiciais de menor impacto enchiam as salas de imprensa.
“Vamos fazer um panorama para demonstrar também a cumplicidade do jornalismo uruguaio, o quão desastroso é o jornalismo uruguaio”, anunciou.
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