O Comissário-Chefe aposentado Sergio Solé, 61 anos, despediu-se da Delegacia de Polícia de Río Negro, garantindo que está saindo “em paz”. Sua saída ocorreu após o Partido Nacional exigir seu afastamento por ter participado de uma reunião política da Frente Ampla e por criticar publicamente a transparência de lideranças brancas durante a gestão anterior.
Esta quarta-feira foi seu último dia à frente da Sede Fraybentina. Comentou a pessoas próximas que, em apenas cinco meses, Río Negro alcançou números de segurança excepcionais em comparação com outros departamentos.
O ex-líder insiste que parte em harmonia, pronto para descansar em Solymar, onde mora a poucos metros da costa, rodeado da família. “Vou aproveitar, estresse zero”, repete ao falar sobre sua separação.
Solé sustenta que a regulamentação impede que os policiais façam manifestações políticas até dois anos após a aposentadoria. Lembre-se que ele renunciou há oito anos e que, como civil, é livre para opinar. Sobre sua renúncia em Río Negro, destacou que teve uma “bela reunião” com o ministro do Interior, Carlos Negro, e a subsecretária Gabriela Valverde, onde entendeu a posição das autoridades.
Ele tem um relacionamento de longa data com Negro: trabalharam juntos entre 2003 e 2005, quando o atual ministro era procurador de Young e Solé atuava como comissário naquela cidade.
A carreira de Solé não se limita à Polícia. É percussionista de música popular e folclore, pratica esportes e é treinador de futebol com reconhecimento da Associação Uruguaia de Futebol. Costuma recorrer ao futebol para explicar sua saída: "É como um jogo, às vezes você joga e às vezes fica no banco. Não estou magoado nem arrependido. Há liberdade de expressão", afirma.
Ele destaca que sua ficha está limpa após quatro décadas de serviço, sem súmulas, e que só faltava chegar ao posto de comissário-geral. Em 2017, quando estava próximo dessa promoção, o então ministro Eduardo Bonomi propôs que ele assumisse o cargo de delegado de polícia de Tacuarembó, seu departamento natal.
Ao assumir o cargo, lembrou-se de suas raízes no Bairro López e visitou a escola onde cursou o ensino primário, contando histórias às crianças locais.
Em 2018 prestou depoimento como testemunha num processo judicial ligado a um ex-subordinado, ocasião em que foi questionado sobre “gostos” nas páginas do Partido Nacional no Facebook. Ele reconheceu ter redes sociais, mas disse não saber utilizá-las e que sua filha criou seu perfil. O assunto não teve consequências para ele.
Em 2020 deixou Tacuarembó após receber o prêmio do Ministério do Interior de agência de destaque. Naqueles anos, afirmou ter reduzido os furtos diários de 15 para cinco e depois para 4,9, o que levou o Observatório de Criminalística a reconhecer Tacuarembó como o departamento mais seguro do país. Os roubos e homicídios também diminuíram.
Ele atribui esses resultados a medidas como patrulhamento a pé nos bairros, atenção ao cidadão, trabalho comunitário e combate às drogas. Ao longo da sua carreira recebeu múltiplas distinções e repete frequentemente que, se quisesse, poderia “pendurar muitos distintivos no peito”.
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