Em recente e contundente entrevista ao jornal El Comercio, o presidente do Júri Nacional Eleitoral (JNE) do Peru, Roberto Burneo, lançou graves acusações contra o ex-chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), Piero Corvetto. Segundo Burneo, Corvetto afirmou falsamente que o material eleitoral foi totalmente distribuído em 12 de abril, quando na realidade centenas de locais de votação na região metropolitana de Lima ainda não o haviam recebido.
Durante a entrevista, Burneo não hesitou em apontar que Corvetto foi o responsável por esconder a verdade sobre o estado da distribuição do material eleitoral. “Ele mentiu não só para nós, mas para todos, porque saiu publicamente para dizer que tudo estava garantido”, disse Burneo com evidente frustração.
Detecção precoce de problemas
O presidente do JNE revelou que a sua equipa começou a detectar atrasos nas rotas de implantação desde a noite de 10 de abril, dois dias antes das eleições. Os alertas continuaram na manhã do dia 11, mas segundo Burneo, o ONPE insistiu que o problema estava resolvido e que o material chegaria a tempo. “Em todos os momentos eles nos garantiram que o material chegaria”, disse Burneo.
As advertências e respostas do ONPE foram devidamente registradas em ata pelos júris eleitorais especiais e seus supervisores. Burneo destacou que “muitos dos quais o ONPE não quis assinar, mas eles têm a assinatura de até sete auditores. Isso, segundo ele, mostra a falta de transparência no processo.
Atrasos devido ao sistema eletrônico de transmissão de minutos
Um factor chave nos atrasos foi o equipamento informático ligado ao sistema electrónico de transmissão de minutos (STAE). Burneo explicou que cada unidade O transporte transportou tanto o material eleitoral como o material necessário à implementação do STAE, o que gerou atrasos significativos. Acrescentou que os dirigentes do ONPE poderiam ter priorizado a distribuição do material eleitoral separando os dois tipos de material, mas não o fizeram.
Preocupações para o segundo turno
Com a segunda volta das eleições marcada para 7 de Junho, as preocupações de Burneo não diminuíram. “Eles ainda estão aí e isso nos preocupa e sempre nos preocupou”, comentou em referência à equipe técnica do ONPE, que ainda permanece no local apesar da saída do Corvetto.
Burneo destacou também que os sistemas informáticos do ONPE foram auditados e, embora o software não apresente problemas aparentes, a fiscalização da parte operacional continua, principalmente na registro de dados. Uma coisa é ter o software bem feito e outra é o momento de inserir os dados, onde pode haver riscos erro de digitação”, esclareceu.
Eleições suplementares descartadas
O JNE decidiu por unanimidade declarar o eleições complementares depois uma análise estatística do impacto do absentismo. Burneo indicou que a região metropolitana de Lima ficou em 17º lugar em absenteísmo nacional e que o atraso na instalação de mesas gerou um impacto de 0,8 pontos porcentagens para cada hora de atraso. No entanto, este impacto foi parcialmente mitigado por medidas adotadas no mesmo dia, como o alargamento do horário de votação e a disponibilização de um dia adicional nos locais afetados.
“O absentismo é multicausal”, disse Burneo. “Quer tenha havido atraso ou não, haveria absentismo de qualquer forma.” Com estas palavras, procura minimizar aos atrasos logísticos como o único factor de desmotivação do eleitorado.
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