O expurgo em Saúde Pública Deixou de ser um boato de corredor e tornou-se um terremoto institucional. O que começou como uma “renovação de perfis” transformou-se num esvaziamento da liderança técnica do Ministério da Saúde Pública (MSP). Esta quinta-feira, a ministra Cristina Lustemberg prepara-se para anunciar uma dezena de mudanças hierárquicas, numa tentativa desesperada de recuperar o controlo de uma pasta que parece navegar entre a insubordinação dos seus técnicos e uma agenda ideológica que colide com a realidade do mercado da saúde.
El respaldo de Orsi: una carta con doble filo
O Presidente Yamandú Orsi optou pela cautela diplomática, mas com uma mensagem subjacente que não passou despercebida na Torre Executiva. Embora tenha transmitido o seu apoio a Lustemberg para realizar as remoções necessárias, o presidente foi enfático: cada Secretário de Estado deve “assumir a responsabilidade” pelas consequências das suas decisões. Em termos políticos, Orsi abandonou a improvisação; O apoio é administrativo, mas a responsabilidade política em caso de eventual colapso da gestão da saúde será exclusivamente do ministro.
Esta crise é desencadeada após a saída contundente de Fernanda Nozar, que liderava a Direção-Geral da Saúde (Digesa). Nozar, profissional de altíssimo prestígio acadêmico, deixou seu cargo em meio às “tensões atuais” que escondem uma rachadura mais profunda: a resistência dos técnicos a uma liderança que prioriza a lealdade política ao rigor científico. A ela se juntaram Gilberto Ríos, seu número dois, e Steven Tapia Villacis, peça-chave em Imunizações que preferiu o refúgio de Udelar a continuar sob o comando de uma gestão desgastada.
O círculo de ferro e a sombra da ASSE
Para tapar los baches de esta expurgo em Saúde Pública, Lustemberg limitou-se à sua “mesa pequena”, um grupo onde a confiança pessoal supera a adequação técnica em saúde pública. Neste círculo destaca-se Álvaro Danza, presidente da ASSE e médico pessoal de Orsi, que hoje enfrenta a sua própria provação mediática. A decisão de Danza de denunciar criminalmente a gestão anterior do Leonardo Cipriani tem sido interpretado por muitos como uma cortina de fumaça para esconder irregularidades atuais, como o pagamento de bônus por “dedicação permanente”, mantendo outros empregos.
A saída de Daniel Olesker da vice-presidência da ASSE para o Ministério da Indústria acaba por confirmar o quadro: os quadros políticos que não concordam com o verticalismo de Lustemberg ou que mantêm uma visão menos radicalizada do sistema de saúde Eles estão sendo expulsos ou deslocados para outras áreas do Estado.
Ideologia vs. Realidade: a guerra por salários e seguros
O pano de fundo desta crise não são apenas nomes, mas uma visão filosófica que colocou a União Médica Uruguaia (SMU) em pé de guerra. Lustemberg flertou publicamente com a ideia de “limitar” os salários médicos e restringir o mercado de seguros privados, chamando a saúde de um direito que “o mercado não pode regular”. Estas declarações valeram-lhe um choque frontal com José Minarrieta, presidente da SMU, que lhe lembrou que o guilda defenderá rigorosamente os salários dos seus membros.
Como se não bastasse, o deputado Federico Preve lançou a sua própria agenda, promovendo uma conta o que triplica as contribuições dos seguros privados para o Fonasa. Esta iniciativa gerou uma fractura interna no Frente larga. Enquanto a ministra tenta manter um roteiro institucional, o seu próprio sector político e aliados parecem estar a jogar o seu “próprio jogo” que sufoca o sistema mútuo e gera pânico nos seguros privados e nas instituições do interior agrupadas na Fepremi.
¿Entre gauchos no se pisan el poncho?
Apesar das denúncias cruzadas e da criação de comissões parlamentares de investigação solicitadas pelo Partido Nacional para investigar os esforços desde 2015, uma máxima tácita sempre pairou na política uruguaia. Porém, desta vez, a ferocidade dos ataques parece ter quebrado os códigos de convivência. “Entre os gaúchos não pisam no poncho”Costuma-se dizer no interior profundo, mas nos escritórios do MSP o poncho é mais do que pisoteado. A decisão de Danza de judicializar a administração anterior quebrou o acordo de cavalheiros e forçou a oposição a contra-atacar com uma investigação que promete trazer à luz tudo, desde a contratação de "brindes para 700 pessoas" até licitaciones de traslados sospechosamente concedido a taxistas.
A agitação também ferve nos escalões inferiores do Ministério. A figura de Rodrigo Márquez, diretor-geral da Secretaria e homem de maior confiança de Lustemberg, é vista como um obstáculo autoritário que tenta exercer uma “ponte” que mais parece um muro. Os diretores da área queixam-se de uma hierarquia paralela onde Márquez comanda os seus pares, intervindo mesmo em detalhes tão prosaicos como a reestruturação do edifício, que quase terminou num motim dos trabalhadores da Digesa.
Conclusión: Un Ministerio en estado de sitio
O expurgo na Saúde Pública que hoje ocorre é o sintoma de uma organização que perdeu a bússola técnica em favor de uma trincheira ideológica. Lustemberg mantém os “leais”, mas perde os “capazes”. Com o presidente Orsi olhando de soslaio e uma comissão de investigação em formação, o Ministério da Saúde Pública entra numa fase de instabilidade onde o único prejudicado, no final das contas, será o utente do Sistema Nacional de Saúde Integrado. A saúde dos uruguaios não deveria ser espólio de guerra de um partido interno partidário, mas os fatos mostram que, hoje, no MSP, a política venceu o jogo sobre a medicina.
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