O cineasta mexicano Diego Lua apresentou seu novo filme, Como, no âmbito do Festival de Cinema de Cannes. Este quarto longa-metragem como diretor é baseado no romance Cinza e a boca de Brenda Navarro, e gerou expectativa no público devido à sua trajetória anterior. No entanto, a recepção foi mista, com as críticas apontando para a falta de profundidade na narrativa.
A história segue Lucila, interpretada por Ana Diaz, que enfrenta a difícil tarefa de cuidar do irmão mais novo, Diego, após o desaparecimento da mãe, Isabel. A trama se desenvolve em um contexto de migração, onde Lucila é obrigada a deixar o México em busca de uma vida melhor na Espanha. À medida que a história avança, são apresentados os desafios que ele enfrenta como imigrante e os laços familiares que tenta manter.
Uma jornada cheia de desafios
Desde o início, o filme estabelece um tom de incerteza. Lucila acorda em um ambiente familiar que logo desmorona. Sua mãe, interpretada por Adriana Paz, confia-lhe a responsabilidade de cuidar de Diego antes de desaparecer. Esta viragem inicial marca o início de uma viagem que a levará até Barcelona, onde tentará encontrar o seu lugar num mundo que parece hostil.
A relação entre Lucilla e seu irmão é central na narrativa. Ao assumir o papel de mãe, Lucila enfrenta a pressão de manter a família unida enquanto lida com as dificuldades da vida em uma nova cidade. O seu trabalho como babá, cuidando do filho de um arquiteto, torna-se uma fonte de tensão, refletindo as lutas de muitos imigrantes que devem aceitar empregos precários para sobreviver.
O filme também aborda o tema da busca pela identidade. Lucila, na tentativa de conquistar a independência, envolve-se num relacionamento com um músico inglês, o que acrescenta uma camada de complexidade à sua vida. Porém, a falta de comunicação e o peso do passado familiar a assombram, causando conflito com o irmão, que sente que a irmã se tornou parecida com a mãe.
A narrativa fica ainda mais complicada quando Lucila enfrenta problemas financeiros e é expulsa de casa. A situação fica crítica quando ela recebe a notícia de uma tragédia familiar, que a obriga a retornar ao México. Este regresso torna-se um momento de reflexão e confronto com o seu passado, onde são revelados segredos de família que permaneceram escondidos.
Um retrato da realidade migrante
Ao longo do filme são percebidos vislumbres da realidade que muitos imigrantes vivem. A estigmatização e o desprezo que enfrentam são questões abordadas, ainda que superficialmente. A representação da vida em Espanha, com os seus desafios e oportunidades, é apresentada através das lentes de Lucila, que tenta navegar num mundo que muitas vezes parece indiferente à sua luta.
As cenas mais emocionantes surgem quando Lucila interage com sua família no México. A ligação com os avós, interpretada por Luisa Huertas e Guilherme Rios, oferece um contraste com sua vida na Espanha. Estes momentos de calor familiar realçam a importância das raízes e do sentimento de pertença, elementos ameaçados pela migração.
No entanto, o filme foi criticado por sua falta de profundidade no desenvolvimento do personagem e do enredo. Apesar das atuações fortes, a história parece fragmentada, deixando o espectador com uma sensação de vazio. A complexidade da experiência migratória, que poderia ter sido mais explorada, parece reduzida a algumas cenas isoladas.
O roteiro, embora aborde temas relevantes, não consegue se conectar emocionalmente com o público. A falta de fluidez na narrativa e a superficialidade no tratamento de determinados temas deixam uma impressão de incompletude. Apesar dos esforços de Luna para contar uma história significativa, o resultado final não ressoa com a força esperada.
Resumindo, Como é apresentado como uma tentativa de explorar a vida dos imigrantes e os laços familiares, mas a sua execução suscitou críticas. O filme, exibido em Cannes, reflete uma realidade complexa, embora a sua narrativa não consiga captar a essência das experiências que pretende retratar. A história de Lucila e sua busca por identidade é marcada pela falta de conexão emocional, o que limita seu impacto no espectador.
A duração do filme é de 1 hora e 39 minutos.
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