O sol da tarde mexicana batia forte no histórico concreto do Estádio Azteca, mas ninguém parecia sentir o calor. O que estava no ar era pura eletricidade. Depois de meses de espera, debates e contagens regressivas, a Copa do Mundo de 2026 deixou de ser uma promessa e se tornou uma realidade que se fez sentir, primeiro, no barulho dos fogos de artifício que tingiram o céu de cores e, depois, no barulho de mais de 80 mil pessoas que não pararam de pular.
O início da festa foi uma mistura precisa de raiz e modernidade. Lila Downs ficou encarregada de dar voz à primeira batida, enquanto o troféu da Copa do Mundo subia como um totem no círculo central, obrigando todos a olhar para cima. Foi esse tipo de cena que fica gravada na memória: o contraste entre a tradição mexicana e o objeto de desejo de todos os times que buscarão a glória nos próximos dias.

Shakira e o barulho do estádio
Quando o som do baixo começou a ressoar na grama, o Azteca já estava agitado. A aparição de Shakira, acompanhada pelo nigeriano Burna Boy, acabou quebrando qualquer protocolo remanescente. A colombiana, com a solvência de quem sabe que é a quarta vez em um palco de Copa do Mundo, soltou euforia com “Dai Dai”.
Nas arquibancadas, as pessoas não faziam distinção entre nacionalidades: o sucesso oficial da Copa do Mundo era cantado em linguagem universal. Foi um momento de total desconexão dos problemas do mundo exterior, onde durante alguns minutos apenas o ritmo e o espetáculo importaram. A exibição visual foi impressionante, com coreografias que pareciam se mover como uma única maré humana no centro da quadra.

Uma homenagem necessária aos Dez
Mas nem tudo foi pop e dance. A FIFA manteve um ás na manga para tocar o acorde mais íntimo dos presentes. A homenagem a Diego Armando Maradona, no mesmo local onde foi consagrado em 1986, fez o estádio parar. Por um momento, a agitação diminuiu de intensidade para dar lugar à memória do homem que fez do Azteca o seu jardim privado.
Ver as imagens de Diego nos telões, enquanto o público cantava músicas que pareciam vir do passado, foi um lembrete de que esta Copa do Mundo não olha apenas para o futuro tecnológico, mas também carrega história. Foi um gesto humano, necessário, que deu ao evento uma profundidade que vai muito além dos objetivos que virão.

O início de um longo caminho
Depois que os artistas foram embora e os fogos de artifício foram retirados, o campo de jogo ficou sozinho. A calma voltou ao estádio, mas com um detalhe diferente: agora, o gramado estava marcado. África do Sul e México já apareciam pelo túnel, com os rostos pintados e os músculos tensos, prontos para colocar em jogo tudo o que havia sido comemorado segundos antes.
Andar hoje pelos corredores do estádio foi se deparar com um caldeirão de culturas. Torcedores com chapéus charro compartilhando água com torcedores sul-africanos; crianças que olhavam para a grama como se fosse a grama sagrada. A primeira festa inaugural já é história e, embora ainda faltem os eventos de Toronto e Los Angeles, o que aconteceu hoje na Cidade do México já colocou a fasquia muito alta. A Copa do Mundo de 2026 já está em andamento e a Azteca, mais uma vez, confirmou porque é o epicentro da paixão pelo futebol.
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