A noite de terça-feira em Guadalajara teve um pulso diferente. Na avenida que circunda o hotel Hilton Guadalajara Midtown, o trânsito habitual foi substituído por uma onda de bandeiras verdes, brancas e vermelhas. Não foi uma partida, mas parecia uma, já que o Seleção Mexicana em Guadalajara Foi recebido por centenas de torcedores que, enfrentando a umidade da noite de Guadalajara, esperaram com paciência e adrenalina para ver, apenas por alguns segundos, o microônibus que transportava os jogadores antes da partida da Copa do Mundo.

O clima estava cheio daquela mistura de nervosismo e esperança que só a Copa do Mundo pode provocar. Quando o veículo finalmente dobrou a esquina, o som ambiente mudou drasticamente: os mariachis afinaram os violões, os trompetes marcaram o ritmo e “Cielito Lindo” virou o hino não oficial da espera.
Para Javier 'Vasco' Aguirre e sua comissão técnica, esta recepção na capital Jalisco não é pouca coisa. A seleção chega com a urgência de consolidar o que mostrou na estreia, onde venceu por 2 a 0 a África do Sul em jogo Estádio Asteca que ainda ressoa na memória coletiva. Porém, o ar no lobby do hotel estava de total concentração.

A encruzilhada tática de Aguirre
Nem tudo é celebração. A realidade do campo bate forte: a ausência de César Montes, expulso nos minutos finais da primeira partida por uma jogada desnecessária que ainda gera debate nas mesas de centro e nos programas esportivos, obriga a uma movimentação de peças-chave.
Montes, que se consolidou como dono da defesa central, vai deixar uma lacuna que a comissão técnica vem tentando colmatar desde o treino de segunda-feira. Enquanto os titulares da inauguração realizavam trabalhos regenerativos, os olhos de Aguirre estavam voltados para quem será o encarregado de deter o ataque coreano, uma equipe que sabe aproveitar a velocidade e a ordem tática.
O ensaio tático sob uma chuva torrencial há alguns dias foi um teste de caráter. Apesar da água e do desgaste físico, o espírito no vestiário parece blindado. “Guadalajara nos acolheu de coração”, escreveram nas contas oficiais da equipe, uma mensagem que busca conectar essa energia externa com a disciplina tática necessária para quinta-feira.

O objetivo da Seleção Mexicana em Guadalajara: liderança segura
O confronto de quinta-feira não é apenas mais um. É a partida que pode definir a posição do Grupo A. A Coreia do Sul se apresenta como um rival que exige ordem e, acima de tudo, cabeça fria. O antecedente contra os sul-africanos mostrou que o México chegou, mas a solidez defensiva será o que ditará se o El Tri poderá se permitir sonhar com a liderança absoluta antes da última data.
Nas ruas de Guadalajara, aquela calculadora matemática pouco importa. O que se sente é a vontade de ver a seleção vencer em casa, num Mundial que, por vezes, parece ter apagado qualquer divisão social, unificando o sentimento nacional por trás de onze jogadores.
Amanhã, quando a bola rolar, a paixão da recepção deverá ser traduzida em futebol. Por enquanto, o hotel Hilton em Midtown tornou-se o epicentro de um país que se recusa a abandonar a sua ilusão.
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