Começar UrgenteSoldados armados nos bairros: a nova estratégia do governo uruguaio

Soldados armados nos bairros: a nova estratégia do governo uruguaio

O Governo do Uruguai lançou o acordo entre Interior e Defesa. Os veículos blindados do Exército farão parte da estratégia para áreas críticas, com soldados autorizados a portar armas convencionais em apoio à Polícia.

por Carlos Sualina
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Yamandú Orsi liderando el Consejo de Ministros en la Torre Ejecutiva

O Governo do Uruguai lançou o acordo entre Interior e Defesa. Os veículos blindados do Exército farão parte da estratégia para áreas críticas, com soldados autorizados a portar armas convencionais.

A decisão agora é um fato administrativo. O presidente Yamandú Orsi assinou nesta sexta-feira a resolução que autoriza o emprego de logística militar no patrulhamento das áreas mais sensíveis de Montevidéu. A medida, que marca um marco na gestão da segurança pública, procura conter a escalada da criminalidade através de uma maior presença estatal.

A implantação da armadura

O plano inclui o comissionamento de até 12 veículos blindados, incluindo modelos Mamba MK7, conhecidos por suas capacidades de proteção em terrenos hostis. Conforme detalhou o Ministro do Interior, Carlos Negro, embora a prioridade seja que os celulares sejam operados por policiais treinados, a porta está aberta para que militares do Exército atuem como motoristas.

A tensão já não está escondida: a mobilização militar nas ruas divide as águas políticas.

“De forma alguma a palavra militarização pode ser aceita”, esclareceu Negro, buscando diminuir os decibéis da polêmica. O partido no poder sustenta que se trata simplesmente de optimizar os recursos do Estado para garantir que os residentes dos bairros vulneráveis ​​possam exercer os seus direitos num ambiente seguro.

Armas e apoio jurídico: o ponto de conflito

A resolução não apenas define o uso dos veículos, mas também esclarece uma das maiores incógnitas: o porte de armas pelos militares designados. Consultado sobre esse ponto, o Ministro Negro foi contundente ao lembrar que o oficial mantém sua condição militar e, portanto, o direito ao porte de arma de serviço.

O conflito político começa a aumentar enquanto os detalhes operacionais são ajustados.

O fato de o soldado poder utilizar sua arma diante de uma ameaça real à sua integridade física acrescenta uma camada de complexidade à operação. No entanto, o Governo insiste que todo o procedimento ficará estritamente sob o comando e direção da Polícia Nacional.

Estratégia operacional ou atalho administrativo?

A utilização de múltiplos modelos blindados – para além dos complexos Mamba – responde a uma leitura estratégica. Ao diversificar a frota, o Executivo evita que o acordo tenha que passar pelo filtro parlamentar, evitando assim possíveis atrasos e desgastes legislativos desnecessários face à oposição.

Cresce a preocupação no Governo com a reacção dos sindicatos e dos sectores críticos.

A regulamentação em vigor, citando a Lei Orgânica Militar e o Código Civil, é a base em que o Executivo se apoia para proteger o acordo. Com esta medida, Orsi tenta demonstrar determinação na sua política de segurança, apostando num destacamento que combine a logística do Exército com a autoridade policial, num domínio onde a dissuasão é hoje a principal ferramenta.

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