Quando o relógio marcava os 76 minutos do estádio de Santa Clara, o destino do jogo parecia escrito entre a frustração de um golo anulado e o empurrão de uma equipa jordaniana que, longe de se intimidar, fez frente ao favorito europeu. Foi nesse momento de incerteza, com o placar empatado, que um cruzamento envenenado de Marcel Sabitzer buscou destino incerto. A bola bateu nas costas de Yazan Al-Arab e acabou marcando o 2 a 1 final a favor da Áustria. Um desfecho que, mais do que uma jogada de lousa, foi o alívio de uma equipa que sentiu o rigor da estreia.
A partida teve aquele ritmo frenético que só estreias em Copas do Mundo conseguem alcançar. Mal se passaram dois minutos quando o coração dos torcedores austríacos parou por um momento: um chute forte dos asiáticos sacudiu o lado de fora da rede. Foi o sinal de alerta. Jordan não veio participar; veio complicar.
Romano Schmid: o homem que quebrou o gelo
Até os 20 minutos, o jogo era um xadrez tenso. Foi então que Romano Schmid decidiu que sua paciência havia acabado. Com uma definição que bem poderia ficar num museu, ele deu um chute de pé direito de fora da área que bateu no canto superior do gol defendido por Yazeed Abu Laila. O estádio explodiu. Foi o 1-0 que, em tese, deveria ter aberto o jogo para uma Áustria confortável.
Mas o futebol tem o hábito de desafiar a lógica. Jordan, longe de desmoronar, tornou-se forte. Ali Alowan, grande figura da seleção asiática, comandou um contra-ataque aos 49 minutos – logo após o início do segundo tempo – que deixou a defesa austríaca inquieta. Com um cruzamento de direita preciso e poderoso, fez o 1 a 1 que iluminou novamente a arquibancada.
O VAR, protagonista inesperado
A partida tornou-se um vaivém constante. Aos 67 minutos, Marko Arnautovic, que havia entrado em campo para dar peso ao ataque, aproveitou um erro grosseiro na partida do goleiro jordaniano para fazer o 2 a 1. A celebração não durou muito. O árbitro Dahane Beida, após ser acionado pela cabine do VAR, decidiu anular a ação devido a uma handebol anterior de Stefan Posch. A tensão em Santa Clara era palpável; O VAR, que muitas vezes é um aliado, tornou-se o juiz mais odiado pelos austríacos.
No entanto, o mesmo destino que tirou o golo à Áustria restaurou a liderança pouco depois. O infortúnio de Al-Arab ao colocar a bola na própria baliza após um centro de Sabitzer selou o destino da partida. Os últimos minutos foram uma provação para os europeus, que viram como Schlager e sua defesa tiveram que exercer recursos extremos diante de cada avanço desesperado da Jordânia.
Um começo que deixa lição de casa para
Se esse confronto na Califórnia demonstrou alguma coisa é que, nesta Copa do Mundo, o nome da camisa não ganha jogos. A Áustria leva os três pontos, sim, mas também sai com a certeza de que a sua estrutura defensiva sofreu contra a velocidade jordaniana. Arnautovic, no final, teve a chance de fechar a luta, mas seu chute esbarrou na segurança de Abu Laila, numa resposta que impediu um placar mais solto.
Os comandados pela comissão técnica europeia comemoram a vitória e já olham para o próximo desafio. Jordan, por sua vez, sai de cabeça erguida. Eles conseguiram incomodar um ao outro, amarrar e brigar até o último suspiro. No final foi o azar que determinou o equilíbrio, mas a mensagem foi clara: ninguém tem um caminho tranquilo neste Grupo J.
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