A tolerância judicial tem um limite e, para Moisés Martínez, esse limite chegou esta terça-feira. Após uma série de afastamentos que colocaram em risco a sua permanência em casa, o Tribunal de Recurso decidiu revogar o benefício da prisão domiciliária que lhe tinha sido concedido há meses. O homem, condenado pelo assassinato do próprio pai em maio de 2025, deverá fazer as malas para voltar à prisão preventiva até 26 de novembro.
A decisão, à qual esta mídia teve acesso, é lapidar. Este não foi um erro isolado, mas sim um comportamento repetido. Em apenas oito dias, Martínez acumulou três saídas do seu perímetro autorizado. As explicações dadas por sua defesa – problemas técnicos com a tornozeleira eletrônica em duas ocasiões e suposta confusão por uso de psicotrópicos na terceira – não foram suficientes para as ministras Graciela Eustachio e Dolores Sánchez, que eram maioria.
Uma história de saídas que não convenceu
As cenas de Martínez fora de sua casa foram documentadas e apresentadas pela Promotoria de Homicídios, que desde o primeiro minuto insistiu que a prisão não estava sendo realizada como deveria. O episódio mais sério foi um passeio de 29 minutos. A defesa tentou argumentar que Martínez estava desorientado sob efeito de medicação, mas o Tribunal foi categórico: o motivo do “caso de força maior” nunca foi provado.
Para os juízes, as justificativas eram, na melhor das hipóteses, implausíveis. A mensagem que agora vem do Tribunal é clara: a prisão domiciliar é um privilégio que exige responsabilidade absoluta, e quem não entende, perde o benefício. Enquanto isso, do lado oposto, o ministro Marcelo Malvar votou pela manutenção da medida, sugerindo que era suficiente para intensificar o controle, embora fosse minoria.
O caso que chocou a opinião pública
O caso de Martínez não é mais um na crônica policial uruguaia. Desde o assassinato de seu pai em 2025, o arquivo tem sido cercado de constante atenção da mídia. Até o tratamento jornalístico do caso, que incluiu reportagens televisivas que a família do falecido descreveu como “desastrosas”, terminou em trocas públicas entre comunicadores e familiares.
Agora, com esta nova resolução, o capítulo da prisão domiciliária está encerrado. O clima de tensão em torno deste caso promete continuar até a próxima instância judicial. Para a família da vítima, o regresso de Martínez à prisão é uma resposta necessária ao que consideraram uma medida “branda” para um crime de tamanha magnitude.
O que vem a seguir?
Martínez já deve estar sendo avisado sobre sua transferência. A prisão preventiva durará pelo menos até o final de novembro. Os advogados de defesa Rodrigo Rey e María de la Paz Echetto apostaram tudo na possibilidade de seu cliente continuar seu tratamento psicológico em liberdade, mas o tribunal priorizou o rigor das medidas cautelares sobre os argumentos da defesa.
A Justiça uruguaia pôs fim à polêmica sobre tornozeleiras e saídas não autorizadas. Martínez volta para a cela e com isso acaba a relativa calma que havia encontrado em sua casa. A questão que fica no ar é se este episódio marcará um antes e um depois na forma como o sistema penal avalia a concessão de domicílio para crimes de sangue.
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