Belém 2025: o desafio global de reavivar o compromisso climático
Aproximadamente 50 chefes de estado e de governo Eles se reúnem a partir desta quinta-feira em Belém, Brasil, para participar numa cimeira crucial que procura reafirmar o compromisso global com as alterações climáticas. O encontro acontece num contexto de ausências diplomáticas conspícuas, especialmente a dos Estados Unidos, e uma urgência crescente para cumprir os objetivos do Acordo de Paris, assinado há uma década.
O evento antecede a abertura do POLICIAL, a conferência anual do ONU sobre o clima, que acontecerá na próxima semana. Figuras como o Primeiro-ministro britânico, Keir Starmer e o Presidente francês Emmanuel Macron, enquanto potências como China e Índia Enviaram delegações de níveis inferiores, reflectindo a atenção global desigual à crise ambiental.
Uma cimeira sem os Estados Unidos e com tensões diplomáticas
A ausência americana deu o tom da reunião. Washington decidiu não enviar representantes, um sinal de distanciamento que contrasta com a urgência global. O ex-presidente Donald Trump chegou ao ponto de chamar a ciência climática de “uma farsa”, uma frase que ainda ressoa entre diplomatas e ativistas.
Por sua vez, Brasil, anfitrião da cúpula, enfrenta críticas após autorizar novos perfuração de petróleo na foz do Amazonas. Esta decisão gera uma contradição direta com o discurso ambientalista do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que tenta se posicionar como mediador e referência na região.
Belém, símbolo de um paradoxo climático
Com uma população de 1,4 milhão de habitantes, Belém representa tanto o potencial como as contradições do desafio climático. Metade de seus moradores vive em bairros populares e com infraestrutura precária, enquanto os preços dos hotéis e os atrasos nas obras públicas complicam a logística do evento.
Apesar das dificuldades, os moradores locais comemoram o reconhecimento internacional. “A COP está trazendo a Belém o reconhecimento que merece”, disse ele. Carol Farias, uma maquiadora de 34 anos, enquanto percorre o histórico e recentemente reformado mercado Ver-o-Peso.
Uma mensagem urgente da ONU
Ele Secretário Geral da ONU, António Guterres, emitiu um forte alerta: o objetivo de limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais “está fora de alcance” no âmbito dos compromissos actuais.
Ainda assim, ele instou os líderes a evitarem o ceticismo e a concentrarem-se em ações concretas: reduzir as emissões, proteger as florestas tropicais e acelerar a transição para energias limpas.
Guterres enfatizou que os países em desenvolvimento não podem enfrentar sozinhos os custos das alterações climáticas. “Eles precisam de apoio financeiro real, não de promessas”, declarou, reforçando a exigência de justiça climática.
Brasil promove fundo global e pede resultados concretos
O presidente Lula da Silva Afirmou que esta cimeira não deveria ser “mais uma reunião de discursos vazios”. Sob o lema “Chega de conversa”, exigiu passar das promessas aos fatos, propondo a criação de um fundo global de proteção às florestas tropicais.
O presidente defendeu que os países com grandes reservas naturais deveriam receber compensações económicas pelo papel que desempenham na mitigação do aquecimento global.
“Isto não é caridade, é uma necessidade”, insistiu. Evans Njewa, diplomata do Malawi e presidente do bloco dos Países Menos Desenvolvidos. Este grupo exige um aumento do financiamento climático para 1,3 trilhão de dólares anualmente até 2035, um valor que consideram mínimo para cobrir as necessidades do mundo em desenvolvimento.

Fricção interna e pressão ambiental
O diretor executivo da Greenpeace Brasil, Carolina Pasquali, apelou aos líderes para definirem “um mandato claro e ambicioso”. Do Guerreiro Arco-Íris, o carro-chefe da organização, instou a fechar as lacunas e acabar com a inação.
Enquanto isso, o Presidência da COP30 tente resolver problemas logísticos. Muitas delegações ainda não dispõem de alojamento garantido, embora o governo tenha anunciado que irá oferecer alojamento gratuito em três navios para representantes de países de baixa renda.
Um planeta em risco de superaquecimento
O maior desafio da cimeira é enfrentar uma realidade perturbadora: mesmo que os actuais compromissos climáticos fossem plenamente cumpridos, o planeta caminha para uma Aumento de 2,5°C na temperatura até o final do século.
“Para muitos dos nossos países, não seremos capazes de nos adaptar se o limite de dois graus for ultrapassado”, alertou. Ilana Seid, diplomata de Palau e presidente do Aliança dos Pequenos Estados Insulares.
Estas nações – entre as mais vulneráveis à subida do nível do mar – apelam a medidas de mitigação urgentes. adaptação e financiamento internacional para evitar uma catástrofe humanitária.
Um roteiro incerto, mas necessário
Lula da Silva pretende que a cimeira de Belém sirva de ponto de partida para uma “roteiro global” que reduz o uso de combustíveis fósseis. “É uma conversa difícil, mas inevitável”, reconheceu o presidente.
O objetivo brasileiro é alcançar um consenso que reative a cooperação internacional sem cair em bloqueios políticos ou rivalidades comerciais.
Belém 2025 representa, em suma, uma encruzilhada: ou se recupera a confiança global na ação climática ou se consolida o desencanto face a uma ameaça que já se faz sentir em todos os continentes.
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